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LIBERDADE
Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O sol doira Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma, Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
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OS CINCO SENTIDOS
São belas - bem o sei, essas estrelas, Mil cores - divinais têm essas flores; Mas eu não tenho, amor, olhos para elas: Em toda a natureza Não vejo outra beleza Senão a ti - a ti! Divina - ai! sim, será a voz que afina Saudosa - na ramagem densa, umbrosa, Será; mas eu do rouxinol que trina Não oiço a melodia, Nem sinto outra harmonia Senão a ti - a ti! Respira - n'aura que entre as flores gira, Celeste - incenso de perfume agreste, Sei... não sinto: minha alma não aspira, Não percebe, não toma Senão o doce aroma Que vem de ti - de ti! Formosos - são os pomos saborosos, é um mimo - de néctar o racimo; E eu tenho fome e sede... sequiosos, Famintos meus desejos Estão... mas é de beijos, é só de ti - de ti! Macia - deve a relva luzidia Do leito - ser por certo em que me deito. Mas quem, ao pé de ti, quem poderia Sentir outras carícias, Tocar noutras delícias Senão em ti - em ti! A ti! ai, a ti só os meus sentidos Todos num confundidos, Sentem, ouvem, respiram; Em ti, por ti deliram. Em ti a minha sorte, A minha vida em ti; E quando venha a morte Será morrer por ti. [ Almeida Garrett ] ♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥
DEUXIEME PROMENADE
La mer donne l'écume et la terre le sable. L'or se mêle à l'argent dans les plis du flot vert. J'entends le bruit que fait l'éther infranchissable, Bruit immense et lointain, de silence couvert.
Un enfant chante auprès de la mer qui murmure. Rien n'est grand, ni petit. Vous avez mis, mon Dieu, Sur la création et sur la créature Les mêmes astres d'or et le même ciel bleu.
Notre sort est chétif ; nos visions sont belles. L'esprit saisit le corps et l'enlève au grand jour. L'homme est un point qui vole avec deux grandes ailes, Dont l'une est la pensée et dont l'autre est l'amour.
Sérénité de tout ! majesté ! force et grâce ! La voile rentre au port et les oiseaux aux nids. Tout va se reposer, et j'entends dans l'espace Palpiter vaguement des baisers infinis.
Le vent courbe les joncs sur le rocher superbe, Et de l'enfant qui chante il emporte la voix. O vent ! que vous courbez à la fois de brins d'herbe ! Et que vous emportez de chansons à la fois !
Qu'importe ! Ici tout berce, et rassure, et caresse. Plus d'ombre dans le coeur ! plus de soucis amers ! Une ineffable paix monte et descend sans cesse Du bleu profond de l'âme au bleu profond des mers.
Victor Hugo ♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥
Printemps mystique
Sous la lune bleue aux caresses molles. Par le clair obscur des bois épineux. Le Printemps s'avance aux sons lumineux Des flûtes mêlées aux voix des citholes.
Entre des fronts blancs nimbés d'auréoles Et des yeux rieurs d'enfants curieux. Il passe à pas lents et mystérieux. Et sur ses pieds nus pleuvent des corolles.
Cresson argenté, violettes fines. Primevères d'or, pales aubépines Tombent sur ses pas en clairs encensoirs,
Et par les ravins, l'odorante neige Des pommiers, fumant dans l'ombre des soirs. Illumine Mai et son doux cortège. (Jean Lorrain) ♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥
TU E EU !!
És tu que foges? Sou eu que te fujo? Não o sei Sim o que sei, é que não luto!
Farto de lutas, assim estou Carrego-me a mim, Mas faço-o por ti. Calada apenas, observo-te Passando por mim, sinto-te Numa dor, que mais parece um calor, Num calor, que transparece um frio!
Falam-me, que não te percebem Junto-me a elas, quando te digo que também não, Em sentimento de amor , Arrasto-te com valor...
Andando por palavras Sigo a avenida de sonhos A quem me pergunta, Respondo, que por tudo passei!
Solidão, consequência de sonhos! Magoas ardentes, resultado de caminhos! Escritas de tolos? Se o passas-te , não o dirás!
Para mim , Basta estar para o ser, Destino o meu , ser como existo, Para tal limito-me a crer!
Enfim aqui estou, Para sempre? Não certamente, Mas para ti, eternamente!! ♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥ Saudades
Saudades! Sim... talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte Que bem pensara vê-lo até à morte Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca ♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥ TU ES TOUT !!
Tel un phénix, tu dégages une aura de bonheur, Où que tu sois, quoi que tu fasses, tu es présent en moi, Je me laisse doucement envahir par ta chaleur. et m'éclaire de tes couleurs,
J'éprouve une joie sans pareil quand je te vois. L'envoûtante vision de ton regard Dissipe dans mes yeux le brouillard Tel un homme, ta puissance bouscule toutes les lois, Chaque retrouvaille déchaîne mon émoi Chaque enlacement m'attire vers toi
Tel une musique, tu es les battements de mon cœur, Je me laisser bercer par tes bras, si doux, si fort à la fois, Tes notes montent en force et retombent en douceur, Ton rythme devient le mien, tu prends possession de moi.
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Longe de ti são ermos os caminhos, Longe de ti não há luar nem rosas, Longe de ti há noites silenciosas, Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos Perdidos pelas noites invernosas... Abertos, sonham mãos cariciosas, Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram... Há crisântemos roxos que descoram... Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! E ele é, ó meu Amor, pelos espaços, Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
Florbela Espanca ♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥.:.♥
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